Introdução
Durkheim viveu numa Europa conturbada por guerras, numa França
marcada por revoluções, na transição do Império para a Terceira República. As
mudanças sócias decorrentes da Revolução Francesa e Industrial influenciaram
fortemente sua produção científica e sua teoria sociológica. Os seus trabalhos
refletem a tensão dos valores e instituições que estavam sendo corroídos por
essas transformações. A industrialização, com sua força de transformação,
impunha a necessidade de mudanças naquela sociedade outrora impregnada por
valores medievais. Durkheim compartilhava a crença, comum na sua época, de que
a humanidade avançava, gradualmente, em direção ao progresso. Mas entendia que
sua época precisava superar o desafio da substituição da força integradora de
instituições como a religião e a família, por instituições mais ligadas às
atividades profissionais. Para isso eram necessárias a criação de um novo
sistema científico e moral que se harmonizasse com a ordem industrial
emergente.
Para contribuir com esse processo, a Sociologia devia se
consolidar como uma ciência com objeto e métodos próprios, ambicionando
entender as leis dos fenômenos sociológicos.
O objeto da ciência sociológica deveria ser essa nova forma de vida
coletiva, que não podia ser entendida apenas como uma ampliação da vida
individual. Esse objeto deveria ser submetido à observação, experimentação e
indução, para se chegar a leis que estabelecessem as relações entre os fenômenos
sociais.