segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Um Resumo das Ideias de Weber

Introdução

A época de Weber foi marcada pela forte influência do positivismo, com os seus valores baseados no racionalismo. Weber foi profundo estudioso de Marx e Nietzche, que escreveram sobre o  capitalismo ocidental, bem como sua evolução histórica. Devido a essa influência, Weber propôs estudar o materialismo histórico e a sua influência social na estrutura e superestrutura ideológica descrita por Marx. Procurou superar certas limitações da teoria marxista, que seria monista, quer dizer, daria ênfase demais apenas ao aspecto econômico para explicar o comportamento humano.

Objetividade do conhecimento

O conhecimento pode ser obtido pela contemplação e observação do meio que nos rodeia, mas  essa análise de uma realidade ocorre segundo a concepção de quem a observa. Esse conhecimento é obtido através de método científico-empírico e da valoração realizada pelo sociólogo. O pesquisador deve fazer a distinção entre o que foi produzido pela racionalidade e seus próprios juízos de valor.  A análise do cientista é sempre seletiva, já que não é possível a análise dos fatos na sua totalidade. Os valores pessoais devem ser incorporados à pesquisa, mas através de um método sistemático que Weber denominou de “esquema de explicação condicional”. O próprio cientista irá estabelecer os limites do real e do histórico na sua análise. Para tanto Weber estabeleceu quatro diretrizes:
·         Estabelecer leis e fatores hipotéticos que serão a base de seu estudo;
·         Analisar e expor a causalidade desses fatores no caso concreto;
·         Analisar o passado para compreender o contexto social do fato histórico;
·         Avaliar as prováveis consequências.
Weber propõe o estudo dos eventos sociais  em sua singularidade considerando todas as variáveis e circunstâncias do momento. Weber preconiza o estudo social e cultural conforme os fatores influenciadores daquele fato, bem como as prováveis implicações futuras. Com o intuito de compreender a inter-relação entre  esses fatores e o objeto em estudo, Weber propõe a utilização do que chama de tipos ideais.
 A Sociologia realiza descrições da realidade, as quais adquirem sentido quando analisadas racionalmente e confirmadas pelos fatos. Ela procura estabelecer explicações racionais entre dois processos, definindo qual processo “A” é a provável causa de um processo “B”. Esses fatos compreensíveis, segundo este raciocínio, são reconhecidos como leis sociológicas, que devem comprovar sua correspondência com a realidade por dados estatísticos.

Tipos Ideais e Tipos Puros de Ação

Como instrumento para permitir essa análise, Weber definiu o conceito de tipos ideais, que funcionariam como modelos para se interpretar a realidade. Para serem tipos ideias, esses modelos devem ter as seguintes características: unilateralidade, racionalidade e caráter utópico. O pesquisador selecionará um dos elementos do objeto a ser analisado e avaliará, por meio da causalidade e racionalidade, as influências  desse elemento no objeto analisado. Com isso ele pode criar um objeto utópico, um modelo do que quer estudar, podendo o confrontar, pelo método empírico, com o objeto de estudo. Este tipo ideal auxilia o pesquisador, portanto, a compreender a realidade. Representam atores sociais idealizados.
Para entender os fatores que motivam o agir dos atores sociais, Weber descreve quatro tipos de ações:
·         Ação racional em relação a fins: a pessoa apoiada pela razão, e tão somente por esta, escolhe os meios para alcançar um objetivo;
·         Ação racional em relação a valores: a pessoa é conduzida por valores pessoais ou morais para atingir um determinado objetivo;
·         Ação afetiva: a pessoa é conduzida a agir segundo seus sentimentos, não para atingir valores em que acredita ou fins específicos, sendo mais relevante satisfazer um sentimento pessoal, como a vingança, por exemplo, não se importando com as consequências dos seus atos;
·         Ação tradicional: a pessoa age conforme um costume ou hábito social, sem, no entanto, estar consciente de seu ato, como uma pessoa que vai à Igreja.
Desse modo Weber contempla em seu modelo sociológico uma explicação para o modo de agir com uma visão mais ampla do que o modelo marxista, que adota um viés muito econômico.

Relação Social

Conforme Weber, os atos de homem são dotados de significados e executados para um determinado fim. A relação social, por sua vez, refere-se a atos que em reflexos no convívio social. Quando um agente age conforme se espera na sociedade, ou quando age conforme o outro agente espera, temos a relação social. Nem sempre haverá correspondência entre os atos, mas há uma compreensão do que ele representa.
O conteúdo das relações pode ser transitório ou permanente. Essas relações sociais só terão sentido quando as ações corresponderem com as expectativas previstas para este comportamento social. Os cônjuges devem amor e atenção uma ao outro, pelo menos, é o que se espera do casamento. As estruturas sociais, como a Igreja, só existem de fato se as pessoas acreditam nelas e as aceitam, se comportando conforme preconizado por elas. A polícia tem autoridade e responsabilidade pela segurança da sociedade, pois é essa a expectativa da sociedade e é dessa maneira que a sociedade a enxerga. Por tal razão a polícia existe.

Divisão do poder na comunidade: Classe e estamentos

No mundo capitalista, as posses são determinantes para formação das classes sociais, ao contrário do mundo feudal, quando a hereditariedade era mais importante. A riqueza tornou-se um dos principais fundamentos das sociedades capitalistas. A concepção weberiana implica em uma separação das esferas como a econômica, religiosa, política, jurídica, social e cultural, cada uma com suas particularidades. O agente social segue os preceitos do grupo do qual participa, que interage com outras esferas.
Segundo esta concepção, as classes sociais representam privilégios de grupos que detém terras ou propriedades que reafirmam suas condições de vidas, em oposição a outros grupos desprivilegiados, os quais realizam serviços mais simples e menos intelectuais. Esses grupos reafirmam sua identidade por meio do seu comportamento, hábitos e vestimentas.

A associação entre o Calvinismo e o Capitalismo

Calvino contribuiu para a comunicação entre as esferas econômicas e religiosas quando determinou um comportamento religioso compatível com o acúmulo de dinheiro, uma vez que afastava os seus agentes de valores populares como festas e bebidas. Esse comportamento permitiu a valorização de práticas capitalistas. O acúmulo de dinheiro, associado à valorização do trabalho, favoreceu o crescimento econômico dos países protestantes.
Mais tarde, o Capitalismo se dissociou do calvinismo, ao adotar o consumismo como uma de suas bases.

Formas de Poder

A dominação estabelece uma relação social entre o dominador e o dominado. Esta relação é legitimada pelos atores sociais, pelo grupo social que a aceita e afirma os valores que sustenta essa relação. O poder se estabelece pela força, pela racionalidade ou por valores afetivos, enquanto aceitação do grupo ao qual pertence.  As duas últimas formas representam dominações legítimas e derivam dos tipos ideias racionais e emotivos. As formas de podem legítimas são de três tipos: tradicional, carismática e legal (burocrática).
O Poder tradicional se estabelece a partir de uma tradição. Deriva, portanto, do tipo ideal de ação tradicional. Ele garante os privilégios para as elites do Estado. Por exemplo, o poder da Igreja se estabelece porque os católicos legitimam essa dominação tradicional.
O Poder carismático se apresenta quando as pessoas reconhecem em um líder um poder especial. Carisma para Weber é o poder que uma população atribui ao líder. É o sujeito messiânico que acaba com a ordem pré-estabelecida.
O Poder burocrático ou legal se estabelece através da racionalidade instrumental, na crença em normas estabelecidas e de uma divisão de poderes estabelecidas por uma organização. Fundamenta-se na ideia de que o saber técnico é mais legítimo para governar. É o poder derivado do tipo ideal ação racional para fins. É por esse processo que se legitima o monopólio da força pelo Estado.

Bibliografia

QUINTANEIRO, Tania. Um Toque de clássicos – Marx/Durkheim/Weber. Editora UFMG, 2003.

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