Introdução
A época de Weber foi marcada pela forte influência do
positivismo, com os seus valores baseados no racionalismo. Weber
foi profundo estudioso de Marx e Nietzche, que escreveram sobre
o capitalismo ocidental, bem como sua evolução histórica. Devido a
essa influência, Weber propôs estudar o materialismo histórico e a sua
influência social na estrutura e superestrutura ideológica descrita por Marx. Procurou
superar certas limitações da teoria marxista, que seria monista, quer dizer,
daria ênfase demais apenas ao aspecto econômico para explicar o comportamento
humano.
Objetividade do conhecimento
O conhecimento pode ser obtido pela contemplação e observação do
meio que nos rodeia, mas essa análise de uma realidade ocorre
segundo a concepção de quem a observa. Esse conhecimento é obtido através de
método científico-empírico e da valoração realizada pelo sociólogo. O
pesquisador deve fazer a distinção entre o que foi produzido pela racionalidade
e seus próprios juízos de valor. A análise do cientista é sempre
seletiva, já que não é possível a análise dos fatos na sua totalidade. Os valores
pessoais devem ser incorporados à pesquisa, mas através de um método
sistemático que Weber denominou de “esquema de explicação condicional”. O
próprio cientista irá estabelecer os limites do real e do histórico na sua
análise. Para tanto Weber estabeleceu quatro diretrizes:
·
Estabelecer leis e fatores hipotéticos que serão
a base de seu estudo;
·
Analisar e expor a causalidade desses fatores no
caso concreto;
·
Analisar o passado para compreender o contexto
social do fato histórico;
·
Avaliar as prováveis consequências.
Weber propõe o estudo dos eventos sociais em sua
singularidade considerando todas as variáveis e circunstâncias do momento.
Weber preconiza o estudo social e cultural conforme os fatores influenciadores
daquele fato, bem como as prováveis implicações futuras. Com o intuito de
compreender a inter-relação entre esses fatores e o objeto em
estudo, Weber propõe a utilização do que chama de tipos ideais.
A Sociologia realiza descrições da realidade, as quais
adquirem sentido quando analisadas racionalmente e confirmadas pelos fatos. Ela
procura estabelecer explicações racionais entre dois processos, definindo qual
processo “A” é a provável causa de um processo “B”. Esses fatos compreensíveis,
segundo este raciocínio, são reconhecidos como leis sociológicas, que devem
comprovar sua correspondência com a realidade por dados estatísticos.
Tipos Ideais e Tipos Puros de Ação
Como instrumento para permitir essa análise, Weber definiu o
conceito de tipos ideais, que funcionariam como modelos para se interpretar a
realidade. Para serem tipos ideias, esses modelos devem ter as seguintes
características: unilateralidade, racionalidade e caráter utópico. O
pesquisador selecionará um dos elementos do objeto a ser analisado e avaliará,
por meio da causalidade e racionalidade, as influências desse elemento
no objeto analisado. Com isso ele pode criar um objeto utópico, um modelo do
que quer estudar, podendo o confrontar, pelo método empírico, com o objeto de
estudo. Este tipo ideal auxilia o pesquisador, portanto, a compreender a
realidade. Representam atores sociais idealizados.
Para entender os fatores que motivam o agir dos atores sociais, Weber
descreve quatro tipos de ações:
·
Ação racional em relação a fins: a pessoa
apoiada pela razão, e tão somente por esta, escolhe os meios para alcançar um
objetivo;
·
Ação racional em relação a valores: a pessoa é
conduzida por valores pessoais ou morais para atingir um determinado objetivo;
·
Ação afetiva: a pessoa é conduzida a agir
segundo seus sentimentos, não para atingir valores em que acredita ou fins específicos,
sendo mais relevante satisfazer um sentimento pessoal, como a vingança, por
exemplo, não se importando com as consequências dos seus atos;
·
Ação tradicional: a pessoa age conforme um
costume ou hábito social, sem, no entanto, estar consciente de seu ato, como
uma pessoa que vai à Igreja.
Desse modo Weber contempla em seu modelo sociológico uma
explicação para o modo de agir com uma visão mais ampla do que o modelo
marxista, que adota um viés muito econômico.
Relação Social
Conforme Weber, os atos de homem são dotados de significados e
executados para um determinado fim. A relação social, por sua vez, refere-se a
atos que em reflexos no convívio social. Quando um agente age conforme se
espera na sociedade, ou quando age conforme o outro agente espera, temos a
relação social. Nem sempre haverá correspondência entre os atos, mas há uma
compreensão do que ele representa.
O conteúdo das relações pode ser transitório ou permanente.
Essas relações sociais só terão sentido quando as ações corresponderem com as
expectativas previstas para este comportamento social. Os cônjuges devem amor e
atenção uma ao outro, pelo menos, é o que se espera do casamento. As estruturas
sociais, como a Igreja, só existem de fato se as pessoas acreditam nelas e as
aceitam, se comportando conforme preconizado por elas. A polícia tem autoridade
e responsabilidade pela segurança da sociedade, pois é essa a expectativa da
sociedade e é dessa maneira que a sociedade a enxerga. Por tal razão a polícia
existe.
Divisão do poder na comunidade: Classe e estamentos
No mundo capitalista, as posses são determinantes para formação
das classes sociais, ao contrário do mundo feudal, quando a hereditariedade era
mais importante. A riqueza tornou-se um dos principais fundamentos das
sociedades capitalistas. A concepção weberiana implica em uma separação das
esferas como a econômica, religiosa, política, jurídica, social e cultural,
cada uma com suas particularidades. O agente social segue os preceitos do grupo
do qual participa, que interage com outras esferas.
Segundo esta concepção, as classes sociais representam
privilégios de grupos que detém terras ou propriedades que reafirmam suas
condições de vidas, em oposição a outros grupos desprivilegiados, os quais
realizam serviços mais simples e menos intelectuais. Esses grupos reafirmam sua
identidade por meio do seu comportamento, hábitos e vestimentas.
A associação entre o Calvinismo e o Capitalismo
Calvino contribuiu para a comunicação entre as esferas
econômicas e religiosas quando determinou um comportamento religioso compatível
com o acúmulo de dinheiro, uma vez que afastava os seus agentes de valores
populares como festas e bebidas. Esse comportamento permitiu a valorização de
práticas capitalistas. O acúmulo de dinheiro, associado à valorização do
trabalho, favoreceu o crescimento econômico dos países protestantes.
Mais tarde, o Capitalismo se dissociou do calvinismo, ao adotar
o consumismo como uma de suas bases.
Formas de Poder
A dominação estabelece uma relação social entre o dominador e o
dominado. Esta relação é legitimada pelos atores sociais, pelo grupo social que
a aceita e afirma os valores que sustenta essa relação. O poder se estabelece
pela força, pela racionalidade ou por valores afetivos, enquanto aceitação do
grupo ao qual pertence. As duas últimas formas representam dominações
legítimas e derivam dos tipos ideias racionais e emotivos. As formas de podem
legítimas são de três tipos: tradicional, carismática e legal (burocrática).
O Poder tradicional se estabelece a partir de uma tradição.
Deriva, portanto, do tipo ideal de ação tradicional. Ele garante os privilégios
para as elites do Estado. Por exemplo, o poder da Igreja se estabelece porque os
católicos legitimam essa dominação tradicional.
O Poder carismático se apresenta quando as pessoas reconhecem em
um líder um poder especial. Carisma para Weber é o poder que uma população
atribui ao líder. É o sujeito messiânico que acaba com a ordem pré-estabelecida.
O Poder burocrático ou legal se estabelece através da
racionalidade instrumental, na crença em normas estabelecidas e de uma divisão
de poderes estabelecidas por uma organização. Fundamenta-se na ideia de que o saber
técnico é mais legítimo para governar. É o poder derivado do tipo ideal ação
racional para fins. É por esse processo que se legitima o monopólio da força
pelo Estado.
Bibliografia
QUINTANEIRO,
Tania. Um Toque de clássicos –
Marx/Durkheim/Weber. Editora UFMG, 2003.
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