Introdução
Em meados do século XVIII, com a primeira revolução industrial e
o nascimento do proletariado, começou a se formar um novo panorama social. A
ascensão da burguesia provocou mudanças estruturais no sistema de organização
da sociedade no período medieval e impactou sobremaneira a cultura, a religião
e os costumes. A burguesia, por meio do processo do crescimento industrial, provocou
as mudanças na nova ordem econômica. O Renascentismo foi responsável pela
transformação da mentalidade arcaica e tacanha do homem da época. O Antropocentrismo
passou a ser a ideologia que sustentava a nova classe social, a burguesia. A
sociedade que tinha no seu topo os aristocratas começou a ruir, sendo aos
poucos substituída por aquela classe emergente, sem cultura, mas agora
abastada.
Somente após um longo processo de manifestações contra os abusos
dos empregadores houve a conquista de uma legislação trabalhista em vários
países. Essas transformações permitiram a mudança de alguns valores sociais
vigentes, a mulher passou a ter maior participação econômica na vida social.
As reformas promoveram o questionamento da autoridade religiosa.
O espírito secular que impregnava a humanidade foi substituído por um
pensamento questionador da realidade. As Universidades passaram difundir outros
conhecimentos, que não restritos as questões religiosas. A razão e Antropocentrismo
passaram a serem os valores dessa época. O racionalismo e o empirismo passaram
a serem valores determinantes à sociedade, associados a isso temos a influência
da Revolução Francesa. Os ideais do Iluminismo contribuíram, sobremaneira, para
reversão da ordem social constituída.
A vida em sociedade cria entre os homens laços de servidão e
dependência. As leis que protegem a propriedade contribuíram para o início da
desigualdade entre os homens. O homem ficou submetido à servidão, à miséria e,
por fim, ao despotismo. A Revolução Industrial promoveu o surgimento de
máquinas a vapor que permitiram o crescimento da produção. O comércio
Internacional se intensificou e, com ele, a expansão colonial na África e na
Ásia. O modelo econômico feudal foi substituído pelo Capitalismo.
Dialética e Materialismo
Marx foi influenciado em suas ideias por Hegel e Feuerbach, mas
os superou. Conforme Hegel, o homem perdeu o autocontrole, subjugados pela sua
própria criação, a riqueza da vida material e seus refinamentos. Feuerbach
acreditava que a principal alienação da humanidade tinha sua origem na
fundamentação religiosa, as quais submetem o homem a forças divinas, criadas
pela mente humana. Essa alienação deveria ser interrompida, a fim de libertar o
homem.
Marx aplica aos fenômenos historicamente produzidos a dialética
das contradições encontradas na vida social, derivadas da negação e superação
de uma ordem social. A esse método de análise da vida social deu o nome de
materialismo dialético. Por essa concepção, é o mundo material que dá origem as
ideias e não o contrário. As relações materiais entre os homens na produção dos
bens que o sustentam são a base da sociedade e das ideologias delas derivadas.
O desconhecimento dessa relação entre mundo material e ideal seria a fonte de
alienação, bem como a falta da consciência da classe proletária sobre esse
processo de apropriação do lucro de seu trabalho pelo capitalista.
Necessidade: Produção e Reprodução
O processo de produção e reprodução da vida através do trabalho
é a atividade básica, segundo Marx, a partir do qual se constrói a história dos
homens. Segundo o trabalho, Marx realiza a análise da vida econômica, social,
política e intelectual.
Forças Produtivas e Relações Sociais Produtivas
A estrutura de uma sociedade depende do nível de desenvolvimento
de suas forças produtivas e das relações sociais de produção que lhe são
correspondentes. O conceito de relações sociais de trabalho refere-se às formas
estabelecidas na distribuição dos meios de produção e do produto, e
principalmente no tipo de distribuição do trabalho na sociedade em um
determinado período histórico. Marx analisou como se deu na história a
distribuição dos meios de produção, bem como a destinação de seu produto.
Estrutura e Superestrutura
O conjunto das forças produtivas e as relações sociais de produção
de uma sociedade forma constituem as relações sociais e políticas.
Segundo a concepção materialista da história, os homens geram
outra espécie de produto que não o material: as ideologias políticas,
concepções religiosas, códigos morais e estéticos, sistemas legais, ou seja,
normas e costumes que influenciam a vida em sociedade. Essas bases sociais
constituem a superestrutura. Marx considera que o modo de produção do homem, as
relações materiais e econômicas, explicam as formas jurídica, social e
políticas da sociedade, que não são, portanto, autônomas (“não é a consciência
que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência”). A
propriedade dos meios de produção molda as instituições da sociedade.
Marx afirmava também que a evolução das sociedades não ocorre de
forma linear e progressiva em direção única, que todas as sociedades precisem
passar pelas mesmas etapas até chegar ao fim por ele postulado, o socialismo e
o comunismo.
Classe Social e Estrutura Social
Conforme Marx, o trabalho humaniza o homem, sendo determinante
para a determinação de a qual classe social pertence a propriedade dos meios de
produção. As classes sociais se concentram entre os proprietários e os não
proprietários dos meios de produção. Além disso, Marx acredita que a tendência
do mundo capitalista de produção é separar cada vez mais o trabalho e os meios
de produção, transformando estes em capital e aquele em trabalho assalariado, e
assim acirrar as diferenças sociais.
A crítica que Marx realiza em todo o sistema é a exploração dos
meios de produção pela classe detentora destes meios em detrimento da classe
proletária. Além disso, a classe que detém a propriedade, também detém o poder
econômico, político e até mesmo religioso.
Luta de Classes
A história das sociedades cuja estrutura produtiva baseia-se na
apropriação dos meios de produção pode ser descrita como a história das lutas
de classes. Essa situação demonstra uma sociedade em que a classe dominante se
sustenta por meio da exploração das outras classes. Para Marx a luta de classe
seria o questionamento dessa ordem social, ou seja, a dialética das
contradições existentes. Por esta razão a classe explorada constitui-se no mais
importante agente de mudança.
A Economia Capitalista
Marx considera a sociedade capitalista a mais evoluída, uma vez
que houve uma grande divisão do trabalho. O produto proveniente das fábricas é
destinado a atender as necessidades humanas. Essa mercadoria tem um valor
estipulado pelo tempo gasto na sua produção, o chamado valor de troca, podendo
também ser avaliada conforme o seu valor de uso. A divisão do trabalho permitiu
a criação de produtos que dependem de outros produtos para seu consumo e
produção. Nesse mercado cada um transforma o fruto de seu trabalho em
mercadoria através do uso da moeda. Na sociedade, o proletariado não detém o
esforço de seu trabalho, o qual ele comercializa como uma mercadoria para sua
subsistência. Embora o intercâmbio de
moeda pelo esforço do trabalho aparente ser equivalente, o valor de troca do trabalho
é maior que o valor de uso, permitindo ao proprietário dos meios de produção, se
apropriar do valor de trabalho excedente, se enriquecendo nesse processo. O
valor dessa diferença é denominado mais valia e expressa o grau de exploração
do trabalho pelo capital. O trabalho apropriado pelo capital é um trabalho
forçado.
Papel Revolucionário da Burguesia
A burguesia revolucionou a ordem social feudalista, sendo
expressão da modernidade e do processo de racionalização. A burguesia permitiu
a criação de valores opostos à cultura medieval, como o antropocentrismo em
detrimento da teologia. O homem, segundo a concepção iluminista, é capaz de
proezas. Com esse intuito, a burguesia precisava conquistar novos mercados para
suas mercadorias. A larga produção decorrente da revolução industrial exigia
novos mercados, o que levou ao Imperialismo e à busca de novas colônias,
expandindo o capitalismo para o resto do mundo.
No entanto, segundo Marx, a expansão do capitalismo permitiria à classe
proletária se fortalecer e contribuiria para a reversão dessa ordem social,
dando origem a uma ditadura do proletariado, com a coletivização dos meios de
produção, originando o socialismo, que seria uma etapa de um processo que
posteriormente, culminaria em uma sociedade sem classes, o comunismo.
Bibliografia
QUINTANEIRO, Tania. Um
Toque de clássicos – Marx/Durkheim/Weber. Editora UFMG, 2003, p. 25 a 59.
HOBSBAWM, Eric J. A
Era das Revoluções 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 79.
[1] Em
número, em 1795 o salário de um artesão era de 33 shillings, em 1815 de 14
shillings e em 1834 de apenas 6 shillings, Fonte HOBSBAWM, Eric J. A Era das
Revoluções 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 79.
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