segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Um Resumo das Ideias de Marx

Introdução

Em meados do século XVIII, com a primeira revolução industrial e o nascimento do proletariado, começou a se formar um novo panorama social. A ascensão da burguesia provocou mudanças estruturais no sistema de organização da sociedade no período medieval e impactou sobremaneira a cultura, a religião e os costumes. A burguesia, por meio do processo do crescimento industrial, provocou as mudanças na nova ordem econômica. O Renascentismo foi responsável pela transformação da mentalidade arcaica e tacanha do homem da época. O Antropocentrismo passou a ser a ideologia que sustentava a nova classe social, a burguesia. A sociedade que tinha no seu topo os aristocratas começou a ruir, sendo aos poucos substituída por aquela classe emergente, sem cultura, mas agora abastada.
Os camponeses que migraram do campo para trabalhar nas indústrias intensificaram o processo de urbanização das cidades, o qual ocorreu de forma desordenada. As cidades não apresentavam as mínimas condições de saneamento e limpeza. Os trabalhadores eram submetidos a jornadas de trabalho exaustivas, com salários decrescentes[1]. Os acidentes de trabalho eram frequentes, em decorrência de trabalharem com maquinários pesados, sem as mínimas condições de segurança.
Somente após um longo processo de manifestações contra os abusos dos empregadores houve a conquista de uma legislação trabalhista em vários países. Essas transformações permitiram a mudança de alguns valores sociais vigentes, a mulher passou a ter maior participação econômica na vida social.
As reformas promoveram o questionamento da autoridade religiosa. O espírito secular que impregnava a humanidade foi substituído por um pensamento questionador da realidade. As Universidades passaram difundir outros conhecimentos, que não restritos as questões religiosas. A razão e Antropocentrismo passaram a serem os valores dessa época. O racionalismo e o empirismo passaram a serem valores determinantes à sociedade, associados a isso temos a influência da Revolução Francesa. Os ideais do Iluminismo contribuíram, sobremaneira, para reversão da ordem social constituída.
A vida em sociedade cria entre os homens laços de servidão e dependência. As leis que protegem a propriedade contribuíram para o início da desigualdade entre os homens. O homem ficou submetido à servidão, à miséria e, por fim, ao despotismo. A Revolução Industrial promoveu o surgimento de máquinas a vapor que permitiram o crescimento da produção. O comércio Internacional se intensificou e, com ele, a expansão colonial na África e na Ásia. O modelo econômico feudal foi substituído pelo Capitalismo.

Dialética e Materialismo

Marx foi influenciado em suas ideias por Hegel e Feuerbach, mas os superou. Conforme Hegel, o homem perdeu o autocontrole, subjugados pela sua própria criação, a riqueza da vida material e seus refinamentos. Feuerbach acreditava que a principal alienação da humanidade tinha sua origem na fundamentação religiosa, as quais submetem o homem a forças divinas, criadas pela mente humana. Essa alienação deveria ser interrompida, a fim de libertar o homem.
Marx aplica aos fenômenos historicamente produzidos a dialética das contradições encontradas na vida social, derivadas da negação e superação de uma ordem social. A esse método de análise da vida social deu o nome de materialismo dialético. Por essa concepção, é o mundo material que dá origem as ideias e não o contrário. As relações materiais entre os homens na produção dos bens que o sustentam são a base da sociedade e das ideologias delas derivadas. O desconhecimento dessa relação entre mundo material e ideal seria a fonte de alienação, bem como a falta da consciência da classe proletária sobre esse processo de apropriação do lucro de seu trabalho pelo capitalista.

Necessidade: Produção e Reprodução

O processo de produção e reprodução da vida através do trabalho é a atividade básica, segundo Marx, a partir do qual se constrói a história dos homens. Segundo o trabalho, Marx realiza a análise da vida econômica, social, política e intelectual.

Forças Produtivas e Relações Sociais Produtivas

A estrutura de uma sociedade depende do nível de desenvolvimento de suas forças produtivas e das relações sociais de produção que lhe são correspondentes. O conceito de relações sociais de trabalho refere-se às formas estabelecidas na distribuição dos meios de produção e do produto, e principalmente no tipo de distribuição do trabalho na sociedade em um determinado período histórico. Marx analisou como se deu na história a distribuição dos meios de produção, bem como a destinação de seu produto.

Estrutura e Superestrutura

O conjunto das forças produtivas e as relações sociais de produção de uma sociedade forma constituem as relações sociais e políticas.
Segundo a concepção materialista da história, os homens geram outra espécie de produto que não o material: as ideologias políticas, concepções religiosas, códigos morais e estéticos, sistemas legais, ou seja, normas e costumes que influenciam a vida em sociedade. Essas bases sociais constituem a superestrutura. Marx considera que o modo de produção do homem, as relações materiais e econômicas, explicam as formas jurídica, social e políticas da sociedade, que não são, portanto, autônomas (“não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência”). A propriedade dos meios de produção molda as instituições da sociedade.
Marx afirmava também que a evolução das sociedades não ocorre de forma linear e progressiva em direção única, que todas as sociedades precisem passar pelas mesmas etapas até chegar ao fim por ele postulado, o socialismo e o comunismo.

Classe Social e Estrutura Social

Conforme Marx, o trabalho humaniza o homem, sendo determinante para a determinação de a qual classe social pertence a propriedade dos meios de produção. As classes sociais se concentram entre os proprietários e os não proprietários dos meios de produção. Além disso, Marx acredita que a tendência do mundo capitalista de produção é separar cada vez mais o trabalho e os meios de produção, transformando estes em capital e aquele em trabalho assalariado, e assim acirrar as diferenças sociais.
A crítica que Marx realiza em todo o sistema é a exploração dos meios de produção pela classe detentora destes meios em detrimento da classe proletária. Além disso, a classe que detém a propriedade, também detém o poder econômico, político e até mesmo religioso. 

Luta de Classes

A história das sociedades cuja estrutura produtiva baseia-se na apropriação dos meios de produção pode ser descrita como a história das lutas de classes. Essa situação demonstra uma sociedade em que a classe dominante se sustenta por meio da exploração das outras classes. Para Marx a luta de classe seria o questionamento dessa ordem social, ou seja, a dialética das contradições existentes. Por esta razão a classe explorada constitui-se no mais importante agente de mudança.

A Economia Capitalista

Marx considera a sociedade capitalista a mais evoluída, uma vez que houve uma grande divisão do trabalho. O produto proveniente das fábricas é destinado a atender as necessidades humanas. Essa mercadoria tem um valor estipulado pelo tempo gasto na sua produção, o chamado valor de troca, podendo também ser avaliada conforme o seu valor de uso. A divisão do trabalho permitiu a criação de produtos que dependem de outros produtos para seu consumo e produção. Nesse mercado cada um transforma o fruto de seu trabalho em mercadoria através do uso da moeda. Na sociedade, o proletariado não detém o esforço de seu trabalho, o qual ele comercializa como uma mercadoria para sua subsistência.  Embora o intercâmbio de moeda pelo esforço do trabalho aparente ser equivalente, o valor de troca do trabalho é maior que o valor de uso, permitindo ao proprietário dos meios de produção, se apropriar do valor de trabalho excedente, se enriquecendo nesse processo. O valor dessa diferença é denominado mais valia e expressa o grau de exploração do trabalho pelo capital. O trabalho apropriado pelo capital é um trabalho forçado.

Papel Revolucionário da Burguesia

A burguesia revolucionou a ordem social feudalista, sendo expressão da modernidade e do processo de racionalização. A burguesia permitiu a criação de valores opostos à cultura medieval, como o antropocentrismo em detrimento da teologia. O homem, segundo a concepção iluminista, é capaz de proezas. Com esse intuito, a burguesia precisava conquistar novos mercados para suas mercadorias. A larga produção decorrente da revolução industrial exigia novos mercados, o que levou ao Imperialismo e à busca de novas colônias, expandindo o capitalismo para o resto do mundo.  No entanto, segundo Marx, a expansão do capitalismo permitiria à classe proletária se fortalecer e contribuiria para a reversão dessa ordem social, dando origem a uma ditadura do proletariado, com a coletivização dos meios de produção, originando o socialismo, que seria uma etapa de um processo que posteriormente, culminaria em uma sociedade sem classes, o comunismo.

Bibliografia

QUINTANEIRO, Tania. Um Toque de clássicos – Marx/Durkheim/Weber. Editora UFMG, 2003, p. 25 a 59.
HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 79.




[1] Em número, em 1795 o salário de um artesão era de 33 shillings, em 1815 de 14 shillings e em 1834 de apenas 6 shillings, Fonte HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 79.

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